Oásis
Durante toda minha caminhada, milhares de coisas se passam pela minha cabeça, na verdade nem sei como eu estava andando, meu caminhar era automático, enquanto eu me via de diversos angulos, como se eu estivesse fora do meu corpo gritando “Não! Não! Não vá naquela direção. VOLTE! Dê a volta agora!” observando inultimente meu corpo indo em direção ao que eu mais temia.
A cada passo o ar ficava mais denso, mais pesado. Cada “toc” que eu ouvia do meu sapato me trazia mais desespero, conforme fui chegando ao final do corredor dava pra ouvir o barulho de máquinas, cada vez mais alto, e quanto mais eu andava, mais eu me desesperava por dentro, não aguentei mais, parei.
Parado naquele corredor imenso, apesar do corredor não ter mais que alguns metros, a distância física pouco importava, na minha mente aquele corredor era gigante, quase parando de respirar, não sentia mais nada a minha volta. Aquele transe me dominando, quando fui acordado pela voz dizendo:
-Vamos lá, só falta mais um pouco, não vá desistir agora - dizia a voz num tom meio deprimido, mas claramente tentando me animar.
Respirei fundo, apaguei minha mente, tentei não pensar em mais nada por alguns instantes, e voltei a caminhar. Nada disso adiantou, mas o apoio daquela frase me motivou a continuar seguindo. Caminhando novamente, tudo aquilo que eu estava pensando volta, uma assombração muito irritante, mas não muito tempo depois eu me encontro parado novamente, mas dessa vez com uma porta a minha frente. Encarei a porta como se fosse um grande inimigo, como se a porta fosse a causadora de todos meus problemas, quando na verdade era oque estava atrás dela, a causadora dos meus pesadelos.
Aquela barreira em minha frente, estática, imóvel, mostrando-se imponente e impenetravel do meu ponto de vista, deteria qualquer ameaça, qualquer invasor, para os outros uma simples porta, para mim essa barreira. Após alguns minutos parado encarando a porta uma enfermeira interrompe esse ritual simplesmente empurrando a porta e feito isso deu de cara comigo que, por reflexo dei um passo para trás, assustado pelo movimento brusco, sem mais nenhuma reação restante além de invadir o ambiente controlado para ver aquele rosto que mais me atormentou durante os ultimos anos da minha vida, saber a verdade é uma coisa, vê-la nua e crua é um castigo reservado apenas pra aqueles que são realmente fortes, não me sinto a pessoa mais forte no mundo, mas pra continuar seguindo durante todo essa caminho e não trepidar nem por um instante, eu realmente sou forte ou tenho sérios problemas, ou os dois, no momento acho mesmo que é um pouco dos dois, muito dos dois na verdade.
Ao entrar nesse novo ambiente sinto uma brisa passando, uma brisa pesada, que continha em muito aquele cheiro de ar artificial o famoso “cheiro de hospital” ou “cheiro de dentista” para mim nunca teve muita diferença exceto que no hospital é muita mais silencioso e no dentista sempre tem ao fundo aquele barulho insuportavel de sua ferramenta favorita a broca, mas no ar tambem sentia um cheiro muito familiar, um cheiro que eu não esqueceria nem em um milhão de anos, o cheiro dela. Sendo carregado pelas minhas pernas num impulso quase que automático, e agora atraido por seu cheiro, seduzido na verdade, a sala é cheia de aparelhos médicos diversos, todos conectados a um unico lugar, para trás de uma divisória, na qual claramente se encontra uma cama, não é dificil de se perceber pois a divisória é bem pequena atravessando a sala aos poucos vou ganhando visão dela, primeiro vejo que ela está completamente coberta um cobertor num tom verde meio fosco e claro cobre seus pés, e conforme vou ultrapassando a divisória vou ganhando visão pouco a pouco de seu semblante, muito mais magra do que eu me lembrava la está a verdadeira garota que durante muito tempo foi dona do meu coração, não que hoje ainda não seja, mas dadas as circunstancias é complicado definir exatamente como me sinto. Agora que eu a vi, contemplo essa cena por um tempo, um longo tempo.







